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KARNATAKA, ÍNDIA. A mecanização ajuda a maximizar a produtividade na única mina de ouro da Índia, uma operação histórica que está desenvolvendo nova infraestrutura para superar um gargalo e possibilitar mais meio século de mineração.

Doze operadores se espremem em uma gaiola retangular estreita no shaft Mallappa, o maior e mais profundo dos três acessos que atendem os trabalhos subterrâneos da Hutti na operação administrada pela Hutti Gold Mines Limited (HGML) no sul da Índia.

Equipado com uma gaiola de dois andares para descer e subir colaboradores e outra para levar o minério para a superfície, o shaft Mallappa se estende até o 28º nível da mina, a uma profundidade de 910 metros.

Com gaiolas de 6,1 metros de comprimento e apenas 2,13 metros de largura, esse shaft de produção principal há muito tempo é um gargalo para a operação. A abertura estreita cria problemas complexos de logística para a descida de grandes equipamentos. Assim como a profundidade da mineração, o tempo necessário para descer e subir operadores para vários níveis aumentou.

Isso mudará em 2018, com um novo shaft circular de seis metros de diâmetro. O acesso alternativo transportará até 100 pessoas por viagem – quatro vezes a capacidade atual – e permitirá a descida de equipamentos maiores sem precisar desmontá-los em pequenas partes. Com uma profundidade inicial de 960 metros e máxima de 1.300 metros, o novo shaft prolongará a operação em décadas.

“A Hutti tem um enorme potencial”, afirma Dr. Prabhakar Sangurmath, gerente geral da HGML. “Nossos levantamentos geológicos mostraram que há corpos de ouro até três quilômetros de profundidade. Estamos minando apenas cerca de um quilômetro agora.”

Embora a Índia tenha liderado a demanda mundial de ouro por décadas, quase tudo é importado. A HGML opera a única mina primária de ouro do país desde que a Kolar Gold Field fechou, em 2001, depois de produzir mais de 26 milhões de onças do metal por mais de 120 anos.

Localizada a cerca de 500 km a norte de Bangalore e a 80 km a oeste de Raichur, no mesmo cinturão verde de Kolar, a Hutti é igualmente histórica. Acredita-se que os antigos mineiros, há 2.000 anos, quebravam a rocha aquecendo-a com fogo e depois rapidamente esfriando-a com água para fazer com que ela se fragmentasse.

Hutti Gold Mines Limited (HGML)

A Hutti Gold Mines Limited (HGML) opera a única mina primária de ouro da Índia. A principal mina subterrânea da Hutti é complementada por minério da mina a céu aberto Uti e do depósito subterrâneo Hira-Buddinni. No total, a HGML estima que pode extrair as reservas por mais 50 anos. Totalmente de propriedade do governo de Karnataka, a HGML emprega aproximadamente 4.000 pessoas. Ela produziu cerca de 45 mil onças de ouro em 2016.

A produção moderna começou em 1902, mas a mina foi fechada em 1918. Reiniciada após a Segunda Guerra Mundial, em 1947, a Hutti produziu mais de 3 milhões de onças de ouro desde então.

A principal mina subterrânea da Hutti é complementada pelo minério da mina a céu aberto Uti e do depósito subterrâneo Hira-Buddinni. No total, a HGML estima que pode extrair 9 milhões de toneladas com uma taxa média de 5,19 gramas por tonelada por mais 50 anos.

“Para que possamos ter um futuro sustentável, temos que aumentar a mecanização”, explica o gerente geral, Prakash Rayamajhi, que se juntou à HGML em 1992.

Migração mecanizada

Ao longo do tempo, a HGML mecanizou gradualmente as funções de mineração. Vijay Kumar Patel, gerente adjunto de Engenharia da HGML, estima que nos últimos quatro anos mais da metade da mineração tenha sido mecanizada.

“A mecanização tem muitas vantagens em termos de segurança da equipe e de aumento da produtividade”, explica Patel. “O shaft estreito sempre foi um obstáculo para mecanizar mais.”

Para utilizar equipamentos subterrâneos maiores, a HGML tinha que desmontá-los na superfície e enviá-los em pequenas partes para serem novamente montados e soldados.

“Isso afeta a produção”, conta Patel. “Remontar um equipamento subterrâneo leva um mês inteiro. Se precisarmos enviá-lo para outro nível na mina, temos que desmontá-lo e montá-lo novamente.”

Tradicionalmente, a mina usava martelos pneumáticos convencionais para desenvolvimento manual. A perfuração de uma face exigia dois equipamentos e a mão de obra de três colaboradores para conseguir a extração de aproximadamente 1 metro por detonação.

<p>Vijay Kumar Patel, gerente adjunto de Engenharia da Hutti Gold Mines Limited.</p>

Vijay Kumar Patel, gerente adjunto de Engenharia da Hutti Gold Mines Limited.

<p>O gerente geral, Prakash Rayamajhi, juntou-se à Hutti Gold Mines Limited em 1992.</p>

O gerente geral, Prakash Rayamajhi, juntou-se à Hutti Gold Mines Limited em 1992.

<p>Dr. Prabhakar Sangurmath, gerente geral da Hutti Gold Mines Limited.</p>

Dr. Prabhakar Sangurmath, gerente geral da Hutti Gold Mines Limited.

A Sandvik apresentou a tecnologia de perfuração em veios estreitos e seus benefícios para a HGML durante um fórum de 2014, e a mina teve interesse imediato. Após um estudo detalhado da mina, foram feitos planos para levar um jumbo Sandvik DD210 de veios estreitos para o shaft Mallappa, no subsolo.

“Foi impressionante”, destaca Rayamajhi. “Todos esses anos, os martelos pneumáticos foram essenciais na mina. Começamos com cortes convencionais, em que costumávamos ter 60 centímetros por vez, e nos contentávamos com isso. Depois de alguns anos, finalmente mudamos para cortes quentes e conseguimos quase um metro por corte. Ficamos muito satisfeitos com isso, mas no dia em que o jumbo Sandvik chegou, tudo mudou. Hoje, com o equipamento, temos uma média de 2,8 a 3 metros por corte, e em menos tempo. As pessoas estão impressionadas.

“O Sandvik DD210 revolucionou o desenvolvimento da Hutti. Agora decidimos que todos os anos vamos adquirir um jumbo juntamente com uma carregadeira para que todos os nossos principais níveis de mineração sejam totalmente mecanizados. Com a introdução de mais algumas máquinas, a Hutti estará a caminho de alcançar seus objetivos. Nós nunca pensamos que seríamos capazes de obter tal desempenho. Extrair 150 toneladas de uma vez foi além da imaginação de qualquer um.”

Sandvik DD210

O compacto jumbo single-boom de desenvolvimento eletrohidráulico Sandvik DD210 é projetado para uso em abertura de túneis e desenvolvimento de mineração em seções transversais de até 24 metros quadrados. Um braço universal robusto oferece uma cobertura de forma ideal, rotação de 360 graus e paralelismo automático, posicionamento rápido e fácil de abertura e perfuração de face precisa.

Por fim, uma carregadeira Sandvik LH204 também foi levada desmontada para a mina.

“Quando conseguimos encomendar e descer a carregadeira Sandvik, ela se tornou um complemento instantâneo para o jumbo”, conta Rayamajhi.

Expansão futura

Todo o minério subterrâneo será levado para a superfície pelo novo shaft circular, que terá uma capacidade de até 200 toneladas por hora e 1.300 metros de profundidade. A HGML também está desenvolvendo um acesso para a extensão norte da Hutti, pois continua explorando o norte e o sul.

“Assim que tivermos o novo e grande shaft, e o gargalo for removido, poderemos buscar mecanização em grande escala e descontinuar a mineração seletiva apenas com máquinas que cabem no shaft atual”, diz Rayamajhi. “Quando o portal estiver pronto e tivermos equipamentos maiores descendo e explorando vastas reservas de minério, pretendemos aumentar nossa produção de 1.500 toneladas por dia para até 5.000 toneladas. Esse é o plano de longo prazo.”

A HGML ainda usa locomotivas e trilhas subterrâneas, que Rayamajhi diz terem se tornado “uma grande restrição, bem difíceis de manter”, e a mina pretende eliminar o sistema e introduzir caminhões subterrâneos de perfil baixo em seu lugar.

“Dadas as nossas distâncias no subsolo, agora estamos procurando um LPDT de tamanho adequado”, conta. “O dia em que tivermos a combinação do jumbo, a carregadeira e o caminhão, nossas necessidades de desenvolvimento serão amplamente atendidas. Essas máquinas nos trouxeram confiança e esperamos uma parceria de longo prazo com a Sandvik “, resume Rayamajhi.