<p>Professores da área de mineração compartilham suas ideias sobre o futuro da prospecção de graduados</p>
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Professores da área de mineração compartilham suas ideias sobre o futuro da prospecção de graduados

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Mudanças na mineração são lentas, mas se a indústria quiser reverter o seu “deficit acumulado de inovação transformacional” (Ernst & Young, 2014), ela deve começar com os graduados em mineração. A Solid Ground falou com professores das principais instituições de ensino de mineração sobre como as novas realidades afetam a educação e o que todos podem fazer para influenciar positivamente o futuro da mineração.

MINESTORIES: O número total de alunos que ingressam em programas de mineração está aumentando ou diminuindo, e por quê?

PETER KNIGHTS: Acreditamos que existem dois fatores que impulsionam o baixo número de matrículas em Engenharia de Minas. O primeiro é a preocupação com a falta de estabilidade no trabalho. Nos últimos quatro anos, cerca de 20 mil pessoas associadas à indústria de mineração e recursos na Austrália perderam seus empregos. Para ser justo, algumas dessas demissões são resultado da conclusão de grandes projetos, mas há uma evidente falta de novos projetos para fornecer novas oportunidades. O segundo fator é a preocupação com o futuro do carvão, intimamente ligada à mudança climática. No entanto, as perspectivas são positivas. A maioria das previsões de crescimento concluem que haverá aumento de mega-cidades na Ásia na próxima metade do século, o que exige carvão de coque produzido em três quartos das operações em Queensland.

CATRIN EDELBRO: O número de alunos matriculados varia e isso está ligado ao preço do minério. Preços elevados no mercado são mostrados em jornais, na internet e na TV. Em geral, isso atrai estudantes para o nosso setor.

MS: Tradicionalmente, que tipo de competências as empresas de mineração procuram e como isso mudou ao longo do tempo?

CARLA BOEHL: Empregadores esperam “líderes prontos”. Trabalhamos em estreita colaboração com as mineradoras, e elas nos dão feedback e atualizações sobre suas necessidades nos workshops que organizamos juntos.

CE: As grandes empresas ainda querem especialistas que podem ser ensinados por meio dos nossos programas de mestrado tradicionais. No entanto, pequenas e médias empresas (PME) precisam mais de graduados empreendedores, a fim de ganhar produção desde o primeiro dia. A geração mais jovem parece ser, ou poderia ser, mais inovadora e empreendedora na sua maneira de pensar, e, portanto, as universidades precisam ter uma colaboração mais estreita com a indústria e as PME. Os alunos gostam e querem mais problemas reais, que são complexos, e menos problemas bem definidos e muitas vezes não realistas. Alunos e faculdade precisam trabalhar mais multidisciplinarmente.

<p>DRA. CATRIN EDELBRO<br />
Professora, Engenharia de Minas e Geotécnica. Departamento de Engenharia Civil, Ambiental<br />
e de Recursos Naturais. Universidade de Tecnologia Luleå</p>

DRA. CATRIN EDELBRO
Professora, Engenharia de Minas e Geotécnica. Departamento de Engenharia Civil, Ambiental
e de Recursos Naturais. Universidade de Tecnologia Luleå

PK: As mineradoras têm procurado engenheiros de minas tecnicamente competentes para planejamento, programação e aplicações operacionais. Com o tempo, esses requisitos expandiram para incluir maior sensibilização para questões socioambientais e capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares. Como a indústria usa cada vez mais equipamentos automatizados e centros de operações remotos, vemos a necessidade de engenheiros de minas terem maior consciência sobre princípios de controle e habilidades de análise de dados.

MS: Como as universidades podem ajudar a fechar lacunas de competência, especialmente com a mineração se tornando menos “from the ground” e mais “into the cloud” – ou seja, usando mais big data

<p>PROFESSOR PETER KNIGHTS<br />
Professor e diretor da Divisão de Mineração. Escola de Engenharia Mecânica e de Minas. Universidade de Queensland</p>

PROFESSOR PETER KNIGHTS
Professor e diretor da Divisão de Mineração. Escola de Engenharia Mecânica e de Minas. Universidade de Queensland

CB: Universidades estão desenvolvendo capacidades, em particular computacionais e de dados, em alunos atuais e futuros. Na Escola de Minas da Austrália Ocidental, nos concentramos em análise de big data, simulação, modelagem e otimização e visualização.

CE: Uma das nossas visões de futuro é “zero entry”, o que significa nenhuma pessoa na área de produção. A longo prazo, a coleta de dados no campo passará a ser feita por meio de sensores, equipamentos de varredura, fotogrametria etc. Assim, a nova geração de engenheiros precisa ser capaz de analisar e avaliar os dados de maneira diferente dos dias de hoje. Ainda assim, o conhecimento básico precisa ser ensinado pelas universidades, que também têm que cooperar estreitamente com a indústria para ensinar aos alunos como interpretar os dados.

PK: A Universidade de Queensland busca introduzir uma ênfase maior em Engenharia de Sistemas dentro de Engenharia de Minas. A capacidade de entender e modelar sistemas complexos é parte integrante de sistemas autônomos, bem como complexos problemas multidisciplinares e socioambientais.

MS: Quão importante é a colaboração entre academia e setor privado para atrair e desenvolver novos talentos para a mineração?
 
CE: Em outros setores, como desenho mecânico ou técnico, é muito comum falar sobre modelos de negócios relativos ao desenvolvimento do produto. As pessoas nas minas ainda não usam essa linguagem. A “oferta padrão” de escolas de negócios precisa ser alterada para um conteúdo que é específico para o setor de mineração.

CB: Pesquisa pública é uma área crítica em que a indústria e a universidade precisam colaborar para enfrentar rachaduras. Mesmo um pequeno aumento em nossa eficiência para converter pesquisa em inovação poderia produzir dividendos substanciais. Evidências indicam que, quando a colaboração funciona, leva a grandes resultados e inovações de sucesso.

É claro que a indústria e as universidades precisam inovar na sua abordagem para colaboração e diversidade – não apenas de gênero, mas também de pensamento, habilidades e experiências. Para as universidades, isso significa melhor alinhamento da pesquisa, sendo mais aberta a descobertas e mais flexível. Para a indústria, muda a mentalidade da filantropia para a oportunidade comercial, buscando e investindo em relações de pesquisa a longo prazo com universidades e absorvendo esses pesquisadores no mercado.
 
PK: A colaboração entre indústria e academia é essencial para atrair e desenvolver talentos. A universidade pode dar a teoria, mas só quando os alunos a vêem colocada em prática que entendem os verdadeiros resultados.

<p>DRA. CARLA BOEHL<br />
Palestrante e pesquisadora em Engenharia de Gestão de Ativos. Coordenadora de Gestão de Ativos da MEA. Escola de Minas da Austrália Ocidental, Universidade Curtin</p>

DRA. CARLA BOEHL
Palestrante e pesquisadora em Engenharia de Gestão de Ativos. Coordenadora de Gestão de Ativos da MEA. Escola de Minas da Austrália Ocidental, Universidade Curtin

MS: Há um envelhecimento da geração baby boomer de mineiros que se aproxima da aposentadoria, levando com eles anos de conhecimento e experiência. Esse é um fator positivo ou negativo para a indústria?

PK: Eu diria que há uma nova geração de engenheiros de minas que foi promovida muito rapidamente para cargos de gestão durante o período de alta. Isso deixou um deficit de engenheiros de minas com a profundidade de experiência técnica necessária – geralmente mais de dez anos. Esses engenheiros precisam dos baby boomers para aconselhamento e, por isso, não vejo nenhuma falta de oportunidades de consultoria para esses aposentados.

CB: O positivo é óbvio, porque muitos baby boomers têm experiência acumulada por fazer exatamente a mesma coisa todos os dias. Por isso, é melhor trazer o “ar fresco”, novas formas de gerir e resolver problemas e diversidade. Sim, é triste e emocionante ver alguns dos grandes líderes e empreendedores que ainda têm como contribuir dizendo adeus e se aposentando, mas esse é o ciclo de envelhecimento. Ninguém inventou ainda a pílula mágica que irá nos manter vivos e bem para sempre.